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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Os Antunes de Siqueira

O tropeiro Theófilo Antunes de Siqueira nascido por volta de 1830, fazia a rota Ubá - São Fidélis. A passagem por Miracema incluía, quase sempre, uma parada na fazenda São Pedro do primo Anacleto. Numa dessas visitas conheceu Maria Salomé filha de Joaquim de Araújo Padilha e Ana Minervina de Alvim Silva, proprietários da fazen da Recreio. Casaram-se em 10/05/1860 na antiga capela de Miracema e foram morar no sítio Boa Vista adquirido por Teófilo, próxima ao atual distrito de Venda das Flores.
Neste sítio o Bené e primos se divertiam furtando goiabada, guardada em prateleiras, no moinho de fubá lá por volta de 1916-17 e contava que o Theófilo, completamente cego, ainda se movimentava bem e confundindo-os com cachorros dava muita porrada com a bengala. Teófilo faleceu em 1922, seu túmulo está à direita numa das primeiras filas do cemitério de Miracema. Dos filhos, Bené dizia que eram 18, tenho notícias de:
Theonila Siqueira Tostes, casada com Francisco Dias Tostes, este em segundas núpcias. Deste casamento nasceu Sebastiana Tostes de Macedo. Sebastiana foi casada com Ururahy Macedo.
Genuíno Antunes de Siqueira Sobrinho, Vô Genuíno, nascido em 1865, casado com vó Marianna em 1898. Falecido em 1947 Deste casamento nasceram os filhos João, José, Benedito, Maria da Glória (tia Filinha, mãe do Lúcio, “o” garçom do bar Pracinha), Ana, Jandira, Edina, Luzia e Tereza
Frontino Antunes de Siqueira casado com Anna Tostes Padilha. Fazendeiro no alto da serra de Flores, foi dono da venda do Panorama. Integrante do partido Agrário fundado pelo coronel José da Silva Bastos. Dos filhos conheci ou ouvi histórias do Antônio, Orlando, José, Pedro, Gésus. As festas do Panorama eram famosas. Conta-se que alguns dias após uma delas um “cheirinho” começou a invadir a casa, para surpresa geral encontraram, jogada atrás de um baú, uma leitoa inteira!!! Bons tempos...de amarrar cachorro com lingüiça e encontrar atrás de baú leitoa assada!

Theófilo Antunes de Siqueira Jr. Padilhista inflamado, de espingarda em punho ameaçava: “ ainda arranco o tampo da cabeça de um....aí ”. Foi eleito Juiz de Paz ( ? ) do 2o distrito na tumultuada eleição de 1915. As confusões ocorridas estão narradas no “Sertão dos Puris”.
Joaquim Antunes de Siqueira, solteiro, trabalhava e morava com o irmão Frontino. Era costume circular, em dias de malhação de Judas, quadrinhas gozando os moradores. Joaquim foi homenageado com a seguinte:
Meu amigo Frontino olhe
a urucubaca dos Nunes
se quiser progredir mande
embora o Quinca Antunes...

Izolina Padilha de Siqueira, da tia Izolina me lembro perfeitame nte. Aparentando uns 70 anos, por volta de 1955, morava pouco depois da Guararema, quando vinha a Miracema ficava hospedada na casa do Dr. Ururahi. Nós tínhamos uma venda na esquina e ela sempre passava por lá. Com lábios pintados, vestidos coloridos ela dançava, cantava, falava de namorados e nos divertia. Nós, as crianças, a achávamos meio doidinha... A sua imagem permanece em minha retina.
Cota, só vi uma vez a tia Cota. Dos Siqueira que tenho notícias ela é quem viveu mais tempo, cerca de 102 ou 103 anos.
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Laranjal - Os Souza - Os Magalhães

Tenho minhas raízes ligadas a Laranjal. Minha mãe, Maria de Souza Magalhães, nasceu em 1910, no sítio Boa Vista, que nós chamávamos de Casa do Canto, distante poucos quilômetros da cidade. Durante a minha infância e juventude, as férias de meio e final de ano eram passadas lá em Laranjal. Os primos reuniam-se na casa da vó Souza e desfrutávamos da vida simples, despreocupada e maravilhosa da roça. Muitas brincadeiras, muitas crendices, muita terço e reza. Muito medo de cobra, cachorro-doido, boi na estrada. De manhã, bem cedinho, o café que a gente ajudava a torrar, o leite gordo tirado a pouco, broa e quitandas. Sempre com o aviso: “Quem tomar leite não pode chupar manga”. Depois, o imenso quintal com pomar: abacate; laranjas campista, lima, seleta, Bahia; carambola; goiabas branca e vermelha; lima; mangas rosa, espada, carlotinha; cana caiana; pêssego; mexerica; bananas nanica, ouro, maçã. Lá no final o moinho de fubá com a roda d`água. E os passarinhos? Saíra-de-sete cores, juritis, coleiros pardo e paulista, canarinhos da terra aos milhares, sanhaços, garças, o canto distante da siriema, o rouco dos macacos do capoeirão que ficava logo após a várzea. Cantigas ao cair da tarde, canto da narceja durante a noite, o relógio de parede marcando as horas com a batida do carrilhão. A partir de 1959 fui estudar em Juiz de Fora, os interresses mudaram de foco ou surgiram outros, desde então, visitar a vó, os tios, os primos em Laranjal passou a ser algo rápido, de passagem, mas realizado, sempre, com muito prazer e satisfação. Lá se vão 50anos. Hoje, quando transitamos por lá, sempre paramos o carro e desfrutamos dessas imagens do passado e a constatação que tudo desapareceu provoca estados de espírito meio indefinidos: de alegria por ter aquilo vivido e de pragmático realismo por saber que o tempo, senhor de tudo, é inexorável e tá com sua bocarra imensa à espreita.
Numa daquelas visitas, em 1988, o pároco de Laranjal, o Monsenhor Geraldo Mendes Monteiro me ofereceu o livro de sua autoria “História Geral do Laranjal”que é a minha principal fonte de informação.
Os Souza chegaram em Laranjal em data desconhecida. O primeiro deles foi Pedro Medeiros de Souza, que apossou-se de uma área de terra que ia, numa direção, do Serrote até a Pedra do Naya no início da cidade, distância equivalente a 10 km, na outra direção a posse chegaria às proximidades de Cisneiros, o que hoje seria uma propriedade de 10.000 hectares. Casado com Rita Medeiros de Souza. A tradição oral diz que Rita era índia puri. Do casamento nasceram os filhos:
Ana de Souza casada com José Firmino de Souza
Maria Teodora de Souza casada com Antônio Severo da Silva
Pedro Torquato de Souza casado com Ana de Souza Torquato
Maria Inácia de Souza casada com João Casemiro de Souza
João Pedro de Souza casado com Maria Júlia da Silva
Francisco José de Souza
Ana Inácia de Souza
Do casamento de Pedro Torquato com Ana de Souza, nasceu Felismino Torquato de Souza dono da fazenda Baraúna, fabricante de queijo, tal como noticia o blog história cisneiros, palma e tapiruçú de Joaquim Machado.
João Casemiro de Souza (1828-1915) e a esposa Inácia (1838- 1892) são os benfeitores da Matriz de Laranjal por doações que fizeram durante a segunda etapa de sua construção e à valiosa colaboração do Alferes João Casemiro, ainda vivo, quando da construção da torre em 1909.
Do casamento de João Pedro com Maria Júlia, nasceu Maria Rosa de Souza ( Vó Souza )

Os Magalhães chegaram por volta de 1875. Francisco José Magalhães veio de Portugal e se instalou na zona rural entre Laranjal e Cisneiros. Dos seus filhos um é João Magalhães ( Vô João) proprietário do sítio Boa Vista, a Casa do Canto. Na década de 20, meu avô com toda a família, mudou-se para Miracema. Com a crise de 30 retornaram para a Casa do Canto. Do casamento nasceram os filhos:
João Magalhães Filho casado com Hermínia Souza Magalhães, com os filhos:
Filomena, Carolina e Aparecida.
Sebastião de Souza Magalhães casado com tia Nica, com os filhos: Terezinha e Pompéia
Maria de Souza Magalhães casada com Benedito Padilha de Siqueira, com os filhos:
José Frederico, Aparecida, Maria Terezinha, Antônio Raymundo e Mariana.
Ana de Souza Magalhães casada com Arquibaldo Rodrigues, com os filhos:
Expedito, Joaquim Tarcísio, João Batista, Rachel, Verônica, José Raymundo, José Silvério, Maria Alda, Fernando e Filomena.
Aparecida Souza Magalhães, falecida aos 10 anos de idade.
Alda de Souza Magalhães, solteira
Olegário de Souza Magalhães casado com Luzia Siqueira Magalhães com os filhos:
Genuíno, João, Maria de Lourdes, Bernadete, Olegário, Antônio e Gésus.

O tema Laranjal será abordado muitas vezes neste bloguinho.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

William Frederico

William na Pensilvânia

Momento de reflexão
Volta para casa ...
Conhecendo a neve...
Posted by Picasa

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Papai e as Folias de Reis

Papai aos 87 anos, em sua residência na rua Santo Antônio, 122.
Benedito Padilha de Siqueira, nasceu em 9 de julho de 1910 no sítio Boa Vista, de propriedade de seu avô paterno Teófilo Siqueira, na zona rural de Miracema, filho de Genuíno Antunes de Siqueira Sobrinho e Marianna Reveziana Padilha de Siqueira. Foi casado em primeiras núpcias com Maria de Souza Magalhães. Desse casamento nasceram 5 filhos: José Frederico, Aparecida, Maria Terezinha, Antônio Raymundo e Mariana. Em segundas núpcias casou-se co Maria Tostes Siqueira. Sem geração. Faleceu em 13 de janeiro de 2000 em Niterói. Está enterrado em Miracema. Usava sempre em qualquer atividade o slogan: “Miracema, eu gosto de você ( Bené Siqueira)”.

No inicio dos setenta o Brasil era, pretensamente, o país do desenvolvimento e da modernidade. Milhões de brasileiros deixavam o campo dirigindo-se para as cidades. Velhas tradições, tanto da Mata Mineira como do Noroeste Fluminense, como as Folias de Reis, me lembro ainda garoto da Folia do Seu Joaquim Neves lá de Laranjal, tendiam a ser esquecidas ou confinadas nas periferias das cidades. De modo geral o movimento folclorista tinha pouquíssima visibilidade. Em Miracema as folias de reis aproximavam-se da total extinção. Tinham imensas dificuldades para adquirir seus instrumentos e suas roupas. Por este tempo, papai iniciava as tratativas para sua aposentadoria o que veio ocorrer em 1977. Mudando-se, definitivamente, para Miracema as velhas emoções sentidas lá no antigo Panorama, onde seu tio Frontino chegava a reunir 20 folias, retornaram com toda força. Papai dizia que juntava seus tostões para oferecer ao palhaço. Como veremos abaixo papai escreveu, por volta de 1979, alguns textos sobre o folclore miracemense que ele chamou de:

“O Folclore Exaltação de Miracema
A Folia de Reis nos traz muitas saudades, nos faz lembrar as grandes noitadas e alegrias daquele som quando crianças a Folia de Reis batia nas nossas portas com o bumbo a rufar e os cânticos dos foliões, fazia nos levantar da cama e apanhar o tostãozinho que guardamos para o palhaço e atrás da porta a gente tremia de medo do palhaço.
No ano de 1889 a 1891, Dona Mariana que tem quase 96 anos ainda se lembrava, com 6 a 7anos, seu tio levava as crianças para assistir o baile dos antigos escravos que formavam a Folia de Reis. O baile era realizado no antigo engenho velho da fazenda Cachoeira, onde socava café, fazia fubá onde tinha tronco e roda de bacalhau. Ali começou os grupos a formar as mais variadas Folias de Reis. Em 1920 vamos encontrar na fazenda Panorama as grandes concentrações de Folias de Reis, o fazendeiro Frontino A. Siqueira admirava as folias. Dali fazia concentração de seis a oito grupos em frente ao seu comércio durante todo o período, isto é, de 25 de dezembro a 5 de janeiro, corria tudo por conta do dito fazendeiro.
Ali eles disputavam em versos, sua melhor posição, melhor vestimenta, melhor bateria e melhor palhaço que cantava, chulava e pulava desafiando uns aos outros. Os seus instrumentos eram: sanfona, viola, triângulo-chucalho, tambor, pandeiro de coro de gato, bumbo, cavaquinho. A bandeira era toda enfeitada com fitas, flores e os três magos. A folia era formada com 12 foliões, com mestre e contra mestre, as vezes trazia dois palhaços, isto pouco acontecia, era um só com seu porrete que era indispensável e ia até a altura do pescoço para que ele pudesse descansar. Certa ocasião uma folia estava cantando numa casa depois de fazer a profecia, chegou a vez do palhaço chulear e dizer versos, mas certo momento embasbacou com os versos e não teve saída, então começou a suar que manchou o chão da casa, ele ficou envergonhado e saiu correndo deixando a folia e nunca mais quis vestir de palhaço.
01 de Janeiro de 1979
Com a participação de vários grupos folclóricos, foi realizado o ‘ Primeiro Encontro de Folias de Reis” que reuniu um grande número de pessoas que assistiram a evolução e exibição de sete Folias de Reis. O encontro foi realizado na rua Santo Antônio, 122, onde o coordenador e promotor do evento, Benedito Siqueira recepcionou os grupos. Após confraternização e apresentação das jornadas foi oferecido pelo coordenador um lanche completo aos foliões.
Este encontro, veio sobremaneira, mostrar a população a contribuição de que o Folclore do Norte Fluminense, especialmente em nossa Miracema, ainda está vivo. Para agradecer o apoio da Funarte fiz as quadrinhas;


Espero que esses versos
Não constitue um desastre
Quero agradecer de público
O apoio da Funarte

Ela deu apoio financeiro
com muito interesse
Para o Folclore de Miracema
Para que ele revivesse

As folias de Miracema
Não tem roupa para vestir
Se não fosse a Funarte
Elas não poderiam sair

Assim eu agradeço
Com grande emoção
Para ficar guardado
No fundo do coração “

terça-feira, 10 de junho de 2008

William Frederico


William Frederico,nasceu em 10 de setembro de 2007 em Jacksonville, Flórida.Filho do Eric Matthew Williams e da Daniella Stroppa Siqueira. Nosso primeiro neto.Já começou mudando tudo. Tivemos, eu e Tê, de nos enfiar num desses monstros voadores até Miami.E pra Jacksonville, numa espécie de teco-teco melhorado.Foram dias muito especiais. Cedinho, a Dani o trazia para nossa cama. No princípio, ele me olhava, olhava...eu passava a mão sobre sua cabeça, ele acabava dormindo. Num dia qualquer começamos a conversar...e como conversamos.Então, pela terceira vez, senti a sensação de continuidade...